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Matéria sobre o nosso projeto publicada no site Núcleo F5

Dados da Fundação Abrinque, organização que mobiliza a sociedade para questões dos direitos da criança e do adolescente, mostram que no Brasil cerca de 17,3 milhões de jovens estão em situação de pobreza e vulnerabilidade social. Instituições de cunho socioesportivo estão espalhadas pelo Brasil, e na zona da Mata Sul de Pernambuco o Centro de Formação de Atletas (CFA) se tornou mais um desses inúmeros projetos que são usados para combater esses indicadores.

O CFA foi criado em 2 de fevereiro de 2009 pelo técnico de futebol Ecio Rodrigues, no distrito de Cocaú, pertencente ao município de Rio Formoso, oferecendo a prática de futebol a crianças e jovens com idades entre 9 e 19 anos. Segundo Ecio, a ideia foi criar uma escolinha de futebol em parceria com a Usina Cucaú, que é produtora de álcool e açúcar, para ocupar os filhos dos funcionários enquanto estivessem fora da escola, pois geralmente ficavam sozinhos em casa enquanto os pais estavam no corte de cana ou na indústria. “O CFA começou de uma parceria minha com a usina, eles queriam apenas ocupar as crianças enquanto os pais trabalhavam, mas eu enxergava além disso, pois poderíamos daquela forma afastar a garotada das drogas e até mesmo do trabalho infantil. Uma das coisas que prezávamos muito era o desempenho escolar do atleta”, afirmou o técnico.

Em 2014, por motivos financeiros, a escolinha deixou Cocaú. A dona de casa Jéssica Matos teve seu filho Clênio Matos (22) como atleta do CFA e diz que o projeto faz falta, pois gostaria de vê-lo novamente atuando no distrito. “Depois de passar pela escolinha, Clênio se tornou mais responsável e tanto ele como outros alunos se afastaram das coisas erradas do mundo. Até hoje faz falta esse trabalho, mas infelizmente ninguém valoriza essas coisas. Muitas mães sabem o que Ecio foi para os garotos daqui”, contou a Jéssica.

Entre 2014 e 2016, o CFA desempenhou o trabalho em Água Preta e de 2017 até 2019 ficou sediado em Gameleira, mas devido a problemas políticos o projeto saiu de ambas as cidades. “Em Água Preta, a saída do CFA ocorreu devido à transição do governo municipal, o governo que estava entrando não queria manter o projeto. Já o caso de Gameleira foi que eu recebi proposta de trabalho em outra cidade e queria manter o projeto em Gameleira, mas a gestora não aceitou e deixou de ceder o campo do municipal para as atividades”, explicou Ecio Rodrigues, também afirmando que, devido a dificuldades financeiras com a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) apresentando taxas de inscrição muito altas, o CFA não vai disputar o Campeonato Pernambucano de Futebol na categoria sub-17.

Durante seus dez anos de existência, o CFA já atendeu cerca de mil jovens, mas atualmente apenas a categoria sub-17 do CFA está em atividade, alternando seus treinos entre o Estádio Municipal Ademar Fraga, em Joaquim Nabuco, e o campo do Centro Recreativo Cocauense (CRC), em Cocaú.

 

OS FRUTOS

            O trabalho do CFA consiste também em revelar jogadores de futebol, pois os alunos são levados para participarem de testes em equipes profissionais do futebol nacional. De Cocaú saiu Wallace Luiz (23) para o Santa Cruz-PE, Erick Sergio de Água Preta foi para o CRB-AL, e Gameleira teve Herbert Silva (13) na categoria de base do Sport-PE. O mais recente atleta revelado pelo técnico Ecio foi Gabriel Vitor (13) que irá integrar a categoria de base do Porto de Caruaru.

            Gabriel Vitor é natural de Gameleira e foi observado pela comissão técnica do Porto em um amistoso entre a equipe caruaruense e o CFA no dia 14 do mês passado. “Se não fosse o CFA e o professor Ecio, essa oportunidade nunca iria chegar, vou me esforçar para agarrar a oportunidade e realizar meu sonho de ser jogador”, afirma Gabriel.

Por: Enock Neto

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